As dez raças mais pedidas na bancada e o corte de cada uma
As dez raças que mais aparecem na bancada, o corte mais pedido de cada uma, a armadilha de pelagem e onde o preço do serviço costuma ficar errado.
As dez raças mais pedidas na bancada e o corte de cada uma
"Faz a tosa bebê nele." A cliente fala isso com a naturalidade de quem está pedindo um pão na padaria, como se existisse um único corte com esse nome no Brasil inteiro.
Só que na loja da esquina tosa bebê é máquina no corpo e tesoura na cabeça. Na sua, é tesoura no corpo inteiro. E na cabeça da cliente é a foto que ela viu no Instagram no mês passado.
Esse mal-entendido é a origem de quase toda reclamação de tosa. Raramente o problema é técnico. Quase sempre é de combinação, e o corte saiu exatamente como foi pedido, só que o pedido significava outra coisa para cada um dos dois.
Antes da lista, um aviso sobre a lista. Não existe estatística pública de raça por bancada no Brasil, então isso aqui não é ranking. São as raças que dominam os levantamentos de popularidade no país e que qualquer pet shop de bairro reconhece de olhos fechados. Se na sua região o quadro é outro, a lógica de cada bloco continua valendo.
Antes de qualquer corte: a combinação
Três hábitos eliminam a maioria das discussões de entrega, e nenhum deles depende de habilidade técnica.
Peça foto. Do pet, no corte que ele gostou. Foto de outro cachorro da internet serve como referência, mas precisa vir com a ressalva de que pelagem diferente entrega resultado diferente.
Combine altura, não nome. Em vez de "tosa bebê", registre a altura que vai ficar no corpo e o formato da cabeça. Número de lâmina ou de pente acaba com a ambiguidade, porque é medida, não apelido.
Anote no cadastro do pet. O corte que deu certo tem que estar escrito para a próxima vez, e principalmente para quando outra pessoa da equipe atender esse mesmo pet.
Uma regra que vale para as dez raças: quanto maior o número da lâmina, mais curto o corte fica. Confirme sempre com o cliente o que vai sair, com a medida na mão, porque pelo não volta no mesmo dia.
1. Shih Tzu
É a raça que mais aparece na bancada do pet shop brasileiro e a que mais chega embolada, porque o pelo é longo, fino e o cliente acha que passar a escova por cima resolve.
O pedido mais comum é a tosa bebê, com corpo baixo na máquina e cabeça arredondada na tesoura. A variação mais pedida depois dessa é a tosa da cara redonda com o corpo mais comprido.
A armadilha é dupla. Primeiro, o embolado embaixo da orelha e na axila, que só aparece quando você abre o pelo. Segundo, o focinho achatado: shih tzu é braquicéfalo, e a orientação técnica é não usar soprador na face desses animais, como detalhado nos erros de secagem.
2. Lhasa Apso
Parece um shih tzu maior e não é a mesma coisa na bancada. O pelo é mais áspero e mais denso, embola com a mesma facilidade e demora mais para secar.
O corte mais pedido é o corpo na máquina com a cabeça trabalhada na tesoura, mantendo barba. Muito cliente pede "igual ao shih tzu" e estranha o resultado, porque a textura do pelo entrega outro caimento.
Ponto de atenção: a orelha comprida e peluda segura umidade. Secar a franja da orelha é obrigatório nessa raça.
3. Maltês
Pelo branco, fino, liso e sem subpelo. Embola rápido e suja ainda mais rápido, principalmente ao redor dos olhos e na boca.
O pedido comum é o corte curto e uniforme no corpo, com cabeça redonda. Quem mantém o pelo longo precisa de manutenção a cada duas semanas, sem exceção.
A armadilha comercial aqui é a mancha lacrimal. O cliente espera que o banho tire, e o banho não tira. Diga isso antes, porque essa expectativa mal resolvida vira insatisfação com um serviço bem feito.
4. Yorkshire
O pelo do yorkshire é do tipo cabelo, cresce sem parar e não tem subpelo. Isso muda a conversa toda: sem manutenção, ele vira nó em dobra, atrás da orelha e na virilha.
Os pedidos que mais aparecem são o corte curto no corpo com cabeça em formato redondo e o corte bem baixo, que o cliente chama de "verão". Orelha em pé, sempre bem definida.
Cuidado clássico: yorkshire é pequeno, fino e escorrega. Antiderrapante na mesa não é luxo nessa raça.
5. Poodle
O poodle é a raça que mais aceita variação de corte e a que mais exige manutenção. O pelo é encaracolado, cresce sem parar e fecha em nó com velocidade.
Os cortes mais pedidos são a tosa da cabeça redonda com corpo baixo, a escovinha e, em cliente mais exigente, os cortes clássicos que marcam pompom e perna. A tesoura entra bastante aqui, e isso significa tempo.
O intervalo entre tosas é a informação mais valiosa dessa raça. Poodle que só volta a cada três meses chega embolado, e a tosa vira resgate. É o perfil perfeito para pacote com retorno programado (pacote de banho por assinatura).
6. Spitz Alemão
O lulu da pomerânia é a raça em que mais gente erra, e o erro é grave. Ele tem pelagem dupla, com subpelo, e não deve ser raspado.
O que o cliente pede é a tosa que arredonda o formato, tirando as pontas e limpando a pata e o rabo. O que ele às vezes pede é a tosa baixa "por causa do calor", e essa é a hora de explicar em vez de obedecer.
Tosa muito baixa em pelagem dupla tira a proteção térmica, expõe a pele e pode fazer o pelo voltar diferente. A Petderma, clínica de dermatologia veterinária, coloca o risco em uma frase clara: "tosas extremamente baixas expõem a pele diretamente ao sol, atritos e agentes irritantes do ambiente".
O trabalho certo nessa raça é remover subpelo morto com soprador e escovação, não com máquina. Dá mais trabalho e é o que preserva o pelo do cliente.
7. Schnauzer
Pelo duro no dorso, pelo macio nas pernas e barba. É uma das poucas raças em que o corte é padronizado por desenho: sobrancelha marcada, barba mantida, saia mais comprida nas laterais e dorso baixo.
Em exposição se trabalha o pelo duro arrancando manualmente. Em pet de casa, quase todo mundo faz na máquina, e vale avisar o cliente: passar máquina no dorso com frequência tende a amaciar e clarear o pelo duro com o tempo. Não é defeito do serviço, é característica da pelagem.
A barba exige conversa. Ela suja com ração, precisa de secagem caprichada e é a primeira região a embolar.
8. Golden Retriever e Labrador
Aqui muda tudo. São cães grandes, de pelagem densa, e o serviço principal não é tosa, é banho bem feito com remoção de subpelo.
O que dá dinheiro nesse pet é a escovação com soprador para tirar pelo morto, que é o que o cliente quer de verdade quando reclama de pelo espalhado em casa.
E vale a mesma regra do spitz: golden não se raspa. Pedido de "raspar por causa do calor" é conversa técnica, não é execução automática. O que se faz é tosa higiênica, aparar pata e ajustar franja de orelha e cauda.
O risco financeiro desse pet é de agenda. Ele toma o box por muito mais tempo e, em muita loja, paga proporcionalmente menos que um pequeno de pelo longo.
9. Pug e Buldogue Francês
Pelo curto engana. Parece o serviço mais simples da casa e tem o manejo mais delicado.
O trabalho está nas dobras da face, no rabo e na limpeza. Dobra mal seca é problema de pele na certa, e a secagem precisa ser específica, região por região.
O soprador não entra na face desses pets, e a orientação técnica da Revista PetCenter é não usar soprador em braquicefálico, nem em filhote, fêmea gestante ou cão debilitado. Além disso, são animais que lidam pior com calor e agitação, o que pede sala ventilada e atendimento mais curto.
10. Pinscher, Dachshund e outros de pelo curto
São os pets que passam mais rápido pela bancada e os que costumam estar com o preço mais desajustado, porque o cliente acha que "é só um banho".
O serviço é banho, unha, limpeza de orelha externa e higiênica quando pedida. O dachshund tem variação de pelo longo e de pelo duro, e nessas versões o tempo muda bastante.
Se o pinscher paga pouco, tudo bem, desde que o tempo dele seja mesmo curto e a sua tabela reflita isso. O erro é cobrar pouco do rápido e cobrar pouco do demorado também.
Tabela de bancada
| Raça | Pelagem | Corte mais pedido | Onde a loja costuma perder |
|---|---|---|---|
| Shih Tzu | Longa, fina, embola | Tosa bebê, cara redonda | Desembolo não cobrado |
| Lhasa Apso | Densa, áspera | Corpo na máquina, cabeça na tesoura | Tempo de secagem subestimado |
| Maltês | Fina, lisa, branca | Corte curto uniforme | Expectativa com mancha lacrimal |
| Yorkshire | Tipo cabelo, sem subpelo | Corpo curto, cabeça redonda | Nó em dobra encontrado tarde |
| Poodle | Encaracolada | Cabeça redonda, escovinha | Intervalo longo demais entre tosas |
| Spitz Alemão | Dupla, com subpelo | Arredondar sem raspar | Ceder ao pedido de raspar |
| Schnauzer | Dura no dorso, macia nas pernas | Padrão com barba e sobrancelha | Tempo de tesoura não cobrado |
| Golden e Labrador | Dupla, densa | Banho com remoção de subpelo | Ocupa o box e paga pouco |
| Pug e Buldogue | Curta, com dobras | Banho com higiene de dobra | Secagem de dobra apressada |
| Pinscher e Dachshund | Curta | Banho e higiênica | Preço achatado por parecer fácil |
Essa última coluna é a que mais vale reler. O corte é técnica, mas o prejuízo quase sempre está na combinação e no preço, não na tesoura.
Erros comuns
Aceitar nome de corte sem definir altura. Tosa bebê, tosa higiênica e tosa verão significam coisas diferentes em cada loja. Medida resolve, apelido não.
Raspar pelagem dupla a pedido do cliente. O cliente pede por bom senso, achando que refresca. A explicação leva um minuto e evita um problema que dura meses.
Cobrar por porte e ignorar a pelagem. Um shih tzu embolado dá mais trabalho que um labrador limpo. Tabela só por porte sempre penaliza o serviço mais difícil (quanto cobrar no banho e tosa).
Não registrar o corte que deu certo. Se a informação está só na memória de quem atendeu, o resultado muda quando essa pessoa tira férias.
Prometer corte de foto sem olhar a pelagem do pet. A mesma tosa em pelo fino e em pelo encaracolado entrega dois resultados bem diferentes.
Tratar pelo curto como serviço sem técnica. Dobra, orelha e unha dão mais problema que tosa em muita loja.
Perguntas frequentes
Qual raça dá mais trabalho na bancada? Não é uma raça, é um estado. Pelagem longa sem manutenção é o que mais consome tempo, seja shih tzu, poodle ou maltês. O mesmo pet, vindo a cada quinze dias, pode ser o serviço mais tranquilo do dia.
Posso cobrar mais caro por raça? O mais defensável é cobrar por porte, por tipo de pelagem e por tempo, e deixar a raça como referência interna da equipe. Assim o preço acompanha o trabalho e não parece perseguição a um tipo de cachorro.
Como explicar para o cliente que não vou raspar o cão dele? Diga o efeito, não a regra. "O pelo dele protege do sol e ajuda a controlar a temperatura. Se raspar, a pele fica exposta e o pelo pode voltar falhado." E ofereça o que resolve o incômodo real: subpelo removido, barriga e pata aparadas.
Com que frequência cada raça deve voltar? Depende de pelagem e rotina. Pelagem longa que não é escovada em casa costuma pedir intervalo mais curto. O caminho prático é combinar o retorno na entrega, olhando como aquele pet chegou desta vez.
Vale a pena fazer curso de tosa em raça específica? Vale, quando a raça aparece muito na sua agenda. Antes de escolher o curso, olhe o que você mais atende no mês. Formar mão de obra para uma raça que entra duas vezes por ano é dinheiro parado.
Resumo do que fazer nesta semana
- Liste as dez raças que mais apareceram na sua agenda nos últimos três meses e compare com esta lista.
- Troque o nome dos cortes da sua tabela por descrição com medida de altura.
- Crie o hábito de registrar no cadastro do pet o corte executado e a observação de pelagem.
- Escreva a regra da casa sobre pelagem dupla e treine a frase que a equipe vai usar no balcão.
- Confira se o seu preço separa pelagem de porte, e não só porte.
Tosa boa é a que sai igual ao que foi combinado. E combinação boa é a que está escrita em medida, com foto junto, no cadastro daquele pet.
Referências
- Revista PetCenter, "8 cuidados na hora da secagem pós-banho", com Sérgio Murilo Villasanti (groomer) e Mallize Gonçalves (médica veterinária, CRMV-SP 21291). Consultado em 11/09/2026.
- Petderma, dermatologia veterinária, "O impacto do banho e tosa inadequados na saúde da pele do pet". Consultado em 11/09/2026.
- Levantamentos de popularidade de raças no Brasil publicados pela imprensa e por portais do setor, consultados em 11/09/2026. Não há estatística pública de frequência por bancada de pet shop.
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No cadastro do pet do BioVinte2 cabe o histórico de cada atendimento com o corte executado e a observação da equipe, para o próximo banho começar do que já deu certo. Conheça os planos.