Quanto comprar de cada produto: giro, sazonalidade e o custo invisível do produto parado

Quanto comprar de cada produto: giro, sazonalidade e o custo invisível do produto parado
O representante chega na terça de manhã, senta, abre a pasta e faz a pergunta de sempre: quantos você quer? E aí você faz o que quase todo dono de pet shop faz, olha pra prateleira, tenta lembrar como foi o mês passado e chuta um número.
Às vezes o chute é bom. Às vezes você compra vinte e vende seis, e aqueles quatorze ficam encostados atrás da porta durante meses. Às vezes acontece o contrário: acaba a ração do labrador na quarta-feira, o cliente pergunta, você diz que chega semana que vem, e ele compra no concorrente. Se ele gostar do atendimento de lá, você não perdeu uma venda, perdeu um cliente.
O detalhe é que essas duas dores parecem opostas, mas nascem do mesmo lugar: ninguém está medindo quanto cada produto realmente vende por semana. Sem esse número, comprar é sempre aposta, e aposta acerta às vezes.
Este texto mostra como sair do chute com contas que cabem numa folha de papel, e como enxergar o custo do produto parado, que é o mais alto do estoque justamente porque ninguém o vê.
O custo invisível do produto parado
Produto encalhado não dói. Ele não aparece em conta nenhuma, não vence no dia 10, não liga cobrando. Só está lá, quietinho, na prateleira. E é por isso que ele é perigoso.
Vale listar tudo que aquele item está custando enquanto não vende:
O dinheiro preso. Cada real na prateleira é um real que não está no caixa. Se você tem R$8.000 parados em produtos que giram devagar, esse é dinheiro que poderia ter comprado a ração que vende toda semana, pago fornecedor à vista com desconto, ou simplesmente evitado o cheque especial no dia 20.
O espaço. O depósito tem tamanho fixo e custa aluguel. Cada metro ocupado por produto parado não guarda produto que gira.
O risco de validade. Quanto mais tempo na prateleira, mais perto do vencimento. Produto parado é o principal candidato a virar perda total, e aí o prejuízo aparece.
A atenção. Item devagar consome tempo de conferência, inventário, arrumação e conversa com o representante.
O preço que você vai ter que dar. Produto muito tempo parado quase sempre sai com desconto. A margem planejada na compra não é a margem realizada.
Some tudo e a conclusão é desconfortável: comprar demais custa mais caro do que perder uma venda por falta, na maior parte dos casos. Não sempre, e a seção sobre ruptura explica quando não. Mas com frequência suficiente pra mudar o jeito de negociar com o representante.
Como medir giro sem planilha complicada
Giro é simplesmente a velocidade com que um produto sai. Você não precisa de fórmula de faculdade, precisa de duas informações por item:
Quanto vende por semana. Pegue as vendas dos últimos três meses daquele produto e divida pelo número de semanas. Três meses é um período bom porque suaviza a semana ruim e a semana excelente.
Quantos dias de estoque você tem hoje. É o que se chama de cobertura. Divida a quantidade em estoque pela venda média diária. Se você vende 2 sacos por dia e tem 30 em estoque, sua cobertura é de 15 dias.
Cobertura é o número mais útil do estoque, porque ele responde a pergunta certa. Saber que você tem 30 sacos não diz nada. Saber que você tem 15 dias de venda diz tudo, principalmente quando comparado com o prazo do fornecedor.
Um exemplo ilustrativo, com números inventados só pra mostrar a conta: uma ração vendeu 78 sacos em 13 semanas, ou seja, 6 por semana, quase 1 por dia. Se o fornecedor entrega em 7 dias e você quer 10 dias de folga de segurança, seu ponto de pedido é de aproximadamente 17 unidades. Quando o estoque bater em 17, é hora de pedir, independente de quando o representante aparecer.
A fórmula, escrita de forma simples:
Ponto de pedido = (venda média por dia x prazo de entrega em dias) + estoque de segurança
E o estoque de segurança existe porque fornecedor atrasa, caminhão quebra e feriado acontece. Quanto mais instável o seu fornecedor, maior essa folga precisa ser.
Nem todo produto merece a mesma régua
Um erro clássico é tratar os mil itens do cadastro com o mesmo critério. Na prática, um punhado de produtos responde pela maior parte do seu faturamento, e o resto é cauda longa. Cada grupo pede uma política diferente.
| Grupo | O que é | Cobertura sugerida | Como comprar | |---|---|---|---| | Campeões de venda | Os itens que puxam o faturamento, normalmente as rações principais | 20 a 30 dias | Nunca deixar faltar. Vale estoque de segurança maior | | Giro médio | Vendem com regularidade, mas em volume menor | 30 a 45 dias | Comprar por ponto de pedido, sem exagero | | Giro lento | Saem poucas unidades por mês, mas atendem cliente fiel | 45 a 60 dias | Quantidade mínima. Repor só quando vender | | Sob encomenda | Item específico de um ou dois clientes | Não manter estoque | Comprar quando o cliente pedir | | Parado | Sem venda nos últimos 90 dias | Zerar | Não recomprar. Queimar o que tem |
As faixas de cobertura acima são sugestões de partida, não regra. Ajuste conforme o prazo do seu fornecedor: quem recebe entrega semanal pode trabalhar com cobertura bem menor que quem recebe uma vez por mês.
O grupo que merece mais atenção é o último. Produto sem venda em 90 dias já não é estoque, é dinheiro perdido esperando ser reconhecido. Olhar essa lista uma vez por trimestre e tomar decisão sobre ela (queimar, devolver, trocar com outro lojista, doar) é uma das rotinas mais rentáveis que existem.
Sazonalidade: o que muda ao longo do ano
Pet shop tem sazonalidade, mas ela é mais discreta que a do comércio em geral, porque ração é consumo obrigatório e não espera época. O que varia com clareza é a periferia: serviço, acessório, higiene.
Alguns padrões que a operação de qualquer loja reconhece:
Troca de estação e queda de pelo. Muda a procura por escova, rasqueadeira, produto anti-queda e banho com hidratação. É o momento de aumentar exposição desses itens, e de treinar o balcão pra comentar sobre isso.
Período de chuva. Aumenta a demanda por banho, por produto de secagem e por tapete higiênico, porque o passeio diminui. Item de tapete higiênico costuma sentir isso de forma bem visível.
Fim de ano e festas. Sobe acessório, brinquedo e presente. Sobe também a procura por banho e tosa antes das datas, com pico concentrado em poucos dias.
Férias escolares. Muda o comportamento do tutor: alguns viajam e procuram hospedagem, outros levam o pet mais vezes na loja.
Início do ano. Dinheiro do cliente mais apertado, com material escolar e impostos. Acessório cai, ração continua.
O importante aqui não é decorar essa lista, e sim ter os seus próprios números. A melhor previsão de sazonalidade da sua loja é o mesmo mês do ano passado, não o mês anterior. Comparar novembro com outubro engana. Comparar novembro com o novembro passado informa.
Se você ainda não tem um ano inteiro de histórico registrado, comece agora. Daqui a doze meses, essa comparação vale mais que qualquer conselho genérico de internet, inclusive este.
O outro lado: quando faltar custa mais caro
Depois de tanta ênfase no custo do estoque parado, vale equilibrar. Nem toda falta é barata.
Faltar um brinquedo específico é irrelevante, o cliente leva outro. Faltar a ração que aquele cliente compra há três anos é grave, porque ele não vai adiar a compra, o cachorro come hoje. Ele vai comprar em outro lugar, e existe uma chance real de não voltar.
Por isso a regra de ouro do estoque de pet shop é: os campeões de venda nunca podem faltar, e todo o resto pode ser enxuto. Concentre o seu estoque de segurança nos itens que sustentam o relacionamento com o cliente. Fora deles, trabalhe apertado.
E existe uma alternativa ao estoque que muita loja esquece: prometer prazo. Se o item acabou e você consegue em três dias, ofereça a reserva e avise quando chegar. Cliente aceita esperar com muito mais frequência do que o dono imagina, desde que seja avisado com clareza e receba o aviso quando o produto chegar de verdade.
Onde o sistema entra
Todas as contas deste texto podem ser feitas na mão. O problema não é a dificuldade, é a quantidade. Fazer cobertura e ponto de pedido pra oitocentos itens, todo mês, na planilha, ninguém faz por muito tempo.
É aí que o Estoque Inteligente do BioVinte2 resolve o trabalho braçal. Ele olha o histórico de vendas da sua loja e organiza três respostas que normalmente exigiriam uma tarde de planilha:
Reposição crítica. O que está perto de acabar considerando o ritmo real de venda daquele item, não um mínimo fixo digitado uma vez e esquecido.
Produtos parados. A lista do que não vende há tempo demais, com o valor que está imobilizado ali. É a lista mais desconfortável e a mais útil do sistema.
Campeão de vendas. Os itens que puxam o faturamento, que são os que nunca podem faltar e onde vale negociar melhor preço com o fornecedor.
O Estoque está no plano Essencial (R$120 por mês), com o PDV, a Vitrine Digital e a Agenda. E como tudo usa a mesma base, a venda do balcão e a venda da vitrine alimentam o mesmo histórico, sem controle paralelo.
O que muda na prática, quando o representante senta na sua frente: você deixa de responder de memória. Você abre a lista, vê quanto cada item vendeu, quanto tem em estoque e quantos dias isso cobre. A conversa passa a ser sobre número, e número é onde você negocia melhor.
Erros comuns na hora de comprar
Comprar por bonificação sem checar o giro. "Leve 10, pague 8" só é desconto se você vender os 10 dentro do prazo. Divida a quantidade pela venda mensal antes de aceitar. Se der mais de três meses de cobertura, o desconto virou estoque parado.
Repor tudo na mesma frequência. Comprar a lista inteira toda vez que o representante aparece é o caminho mais rápido pra encher o depósito de item devagar. Cada grupo tem seu ritmo.
Usar mínimo fixo pra sempre. "Sempre 5 unidades" foi definido em algum momento e nunca mais revisado. Mas a venda mudou, o cliente mudou, a linha mudou. Mínimo precisa acompanhar o giro real.
Comprar variedade em vez de profundidade. Ter oito marcas de ração premium com dois sacos cada parece sortimento, mas costuma ser dinheiro espalhado. É quase sempre melhor ter três marcas com estoque confiável do que oito com falta permanente.
Não olhar o mesmo mês do ano anterior. Comprar olhando só o mês passado faz você chegar atrasado em toda sazonalidade, comprando o produto da estação quando ela já está terminando.
Ignorar a lista de parados. É a lista que ninguém quer abrir, porque ela mostra o erro de compra. Mas ignorar não faz o dinheiro voltar, só adia a decisão até virar perda por validade.
Perguntas frequentes
Quantos dias de estoque eu devo manter? Depende do prazo do fornecedor e da importância do item. Como partida, 20 a 30 dias nos campeões de venda e menos nos itens de giro médio e lento. Quem recebe entrega toda semana pode trabalhar bem mais enxuto que quem recebe uma vez por mês.
Como sei se um produto está parado? Sem venda nos últimos 90 dias é um bom corte para pet shop. Antes disso, pode ser só um item de giro naturalmente lento. Depois disso, é decisão a tomar, não item a repor.
Vale a pena comprar mais pra ganhar desconto? Só se a quantidade extra couber no giro e dentro da validade. Faça a conta: quantidade dividida pela venda mensal dá quantos meses de cobertura. Se esse número for maior que o prazo de validade restante, o desconto é prejuízo disfarçado.
Como faço se não tenho histórico de vendas registrado? Comece registrando toda venda a partir de hoje. Em três meses você já tem base pra calcular giro dos principais itens, e em doze meses passa a ter comparação de sazonalidade. Não existe atalho para histórico, existe só começar antes.
É melhor faltar ou sobrar? Nos campeões de venda, é melhor sobrar, porque a falta pode custar o cliente inteiro e não só a venda. Em todo o resto, é melhor faltar um pouco, porque o custo do dinheiro parado é maior que o de uma venda perdida em item substituível.
Resumo do que fazer nesta semana
- Liste os seus 20 produtos de maior faturamento e calcule, para cada um, a venda média por semana dos últimos três meses.
- Calcule a cobertura de cada um deles: estoque atual dividido pela venda média diária. Anote quantos dias cada item cobre hoje.
- Defina o ponto de pedido dos campeões, usando venda média diária vezes o prazo do fornecedor, mais uma folga de segurança.
- Puxe a lista do que não vende há 90 dias e decida item por item: queimar, devolver, trocar ou doar. Não deixe nenhum sem decisão.
- Chegue na próxima visita do representante com esses números na mão. Compre pela lista, não pela conversa.
Fazer isso com 20 produtos já muda o seu caixa, porque são eles que concentram o dinheiro. Os outros oitocentos podem esperar o mês seguinte.
O Estoque Inteligente do BioVinte2 lê o histórico real de vendas da sua loja e mostra a reposição crítica, os produtos parados e os campeões de venda, no mesmo estoque que abastece o PDV e a Vitrine Digital. Conheça os planos.
