Tabela de preço por porte e pelagem: como montar
Como montar a estrutura da tabela de preço do banho e tosa por porte e por pelagem, sem virar uma planilha de sessenta linhas.
Tabela de preço por porte e pelagem: como montar
"Mas o meu cachorro é médio."
Essa frase, dita no balcão numa sexta às seis da tarde, é o teste real da sua tabela de preços. Se a resposta da sua equipe for "é, mais ou menos", você não tem tabela. Tem uma sugestão de preços que se dissolve toda vez que um cliente insiste.
E repare que a discussão quase nunca é sobre o valor. Ninguém está dizendo que setenta reais é caro. Estão dizendo que o cachorro deles não é daquela linha. O problema não está no número, está na régua.
Este texto é sobre a régua. Quantas faixas de porte, quantos tipos de pelo, o que vira linha fixa da tabela e o que vira adicional cobrado no dia. Se o que você procura é como chegar no valor de cada linha, isso já está em quanto cobrar no banho e tosa, e os dois textos se completam. Aqui a gente monta a estrutura vazia, e você preenche com os seus números.
Por que porte sozinho não resolve
A maioria das tabelas de pet shop tem três linhas: pequeno, médio, grande. É simples de entender e é insuficiente.
Um shih tzu de sete quilos com pelo longo e um pinscher de sete quilos com pelo raspado são o mesmo porte. Um deles ocupa o box quarenta minutos, o outro pode ocupar o dobro. Escovar, desembaraçar, ensaboar duas vezes, secar até a raiz e escovar de novo é trabalho que não tem nada a ver com peso.
Quando os dois pagam igual, uma coisa acontece devagar: o dono do pinscher paga a conta do dono do shih tzu. Você não perde dinheiro no mês, você perde nas linhas erradas, e por isso nunca enxerga.
Pelagem é a segunda dimensão, e ela não é firula de loja grande. É a diferença de tempo mais previsível que existe no banho e tosa, mais previsível até que o temperamento do animal.
Porte precisa virar número escrito
A palavra "médio" não significa nada. O que significa é uma faixa de peso, escrita, visível, igual pra todo mundo.
Escolha as faixas e escreva. Por exemplo, até 10 kg, de 10 a 25 kg e acima de 25 kg. Esses limites não são regra de mercado nem padrão de nada. São uma escolha, e o valor exato importa menos do que o fato de estarem escritos. O que não pode é ficar na cabeça de cada atendente.
Três regras que evitam a briga de sexta à tarde:
O porte é definido na entrada, uma vez, e fica gravado na ficha do animal. Não se rediscute a cada visita. Se o cachorro engordar ou ainda for filhote crescendo, atualiza e pronto.
Quem define é a loja, não o cliente. Isso soa duro escrito assim, mas é o contrário de arrogância: é o que garante que o vizinho com o mesmo cachorro pague o mesmo valor.
O animal em cima da linha sobe. Nove quilos e oitocentos é pequeno, dez e meio é médio. Sem exceção, porque exceção vira regra em duas semanas.
Cachorro sem raça definida é maioria em muita loja e não dá problema nenhum aqui. Peso e pelo são coisas que se olha, não que se consulta numa lista de raças.
Pelagem: três níveis, e não seis
Quem é do ramo sabe que existe muito mais que três tipos de pelo. Tem pelo duplo, tem lanoso, tem arame, tem o pelo do cocker que não se parece com o do labrador. Uma classificação boa de verdade teria seis ou sete categorias.
Não use seis. Use três: curto, médio e longo.
O motivo é prático. A tabela não existe pra ser correta em teoria, existe pra ser usada por uma pessoa apressada atendendo três clientes ao mesmo tempo. Com três níveis a decisão é instantânea. Com seis, a pessoa escolhe o mais barato pra não errar, ou chama o dono, e a tabela morre.
Então onde entram o pelo duplo, o encaracolado e o de arame? Em dois lugares.
O primeiro é dentro de "longo". Um husky e um lulu são pelo longo pra efeito de preço, mesmo sendo coisas bem diferentes pra efeito de técnica.
O segundo é como serviço separado, quando a técnica muda de verdade. Tosa de schnauzer feita a tesoura e stripping não é a mesma venda que um banho de pelo longo. Isso merece nome próprio no cardápio, não uma coluna nova na matriz.
Um erro que vale evitar desde já: não crie a categoria "pelo embolado". Nó não é pelagem, é estado do animal naquele dia. O mesmo cachorro chega liso em março e embolado em julho. Isso é adicional, e a gente chega lá.
Os dois formatos que funcionam
Definidos três portes e três pelagens, você tem nove combinações por serviço. Nove é o teto do que uma pessoa consegue consultar de cabeça. A partir daí, existem dois jeitos de organizar, e os dois são legítimos.
| Matriz cheia | Preço base mais adicional | |
|---|---|---|
| Como é | Uma tabela 3 por 3, com os nove valores escritos | Um preço de partida e uma lista de acréscimos |
| Melhor para | Loja com movimento alto e equipe grande | Loja pequena, com o dono no balcão |
| Vantagem | O valor está escrito, ninguém calcula nada | Menos números pra manter atualizados |
| Risco | Reajuste vira trabalho de nove células por serviço | Atendente esquece de somar o adicional |
| O cliente entende? | Sim, se estiver na parede | Sim, se o adicional for dito antes, nunca depois |
Se você está em dúvida, comece pela matriz cheia. O valor escrito no papel é mais forte que a conta feita de cabeça, e o balcão não erra pra baixo.
Uma coisa que ajuda nos dois formatos: nem todo serviço precisa variar pelas duas dimensões. Corte de unha pode ter um preço só. Tosa higiênica talvez varie só por porte. Banho varia pelas duas. Hidratação varia pelo pelo e quase nada pelo porte.
Decidir isso serviço por serviço derruba o tamanho da tabela pela metade e não perde nada de precisão. Numa folha, vira uma coluna a menos. Numa planilha, vira uma aba a menos pra manter atualizada.
O que é linha da tabela e o que é adicional
Essa é a divisão que mais organiza a cabeça de quem vende.
Linha da tabela é o que o animal é, e não muda toda semana. Espécie, porte, pelagem. Fica gravado na ficha e vale pra sempre.
Adicional é o que aconteceu naquele dia. Muda de visita pra visita e precisa ser dito antes de começar.
Adicionais que quase toda loja deveria ter escritos:
- Desembolo, cobrado por faixa de tempo
- Manejo de animal que não colabora, quando precisa de duas pessoas
- Segundo ensaboamento, quando o animal chega muito sujo
- Remoção de carrapato
- Banho fora do horário combinado, quando o cliente chega atrasado e a loja segura
- Leva e traz
Gato merece parágrafo próprio. Gato não é cachorro pequeno e não deveria estar na mesma tabela com desconto. Tempo, risco e técnica são outros, e muita loja que aceita gato pelo preço de um poodle está atendendo no prejuízo com cara de cortesia.
Como escrever a tabela pro cliente ler
A tabela interna e a tabela da parede não precisam ser iguais, mas não podem se contradizer.
Na parede, coloque o preço cheio, por porte e por pelo, sem "a partir de" onde o valor é certo. "A partir de" é honesto só quando o serviço realmente depende de avaliação, como tosa na tesoura em pelo muito longo.
Escreva a faixa de peso junto do nome do porte. "Pequeno (até 10 kg)" encerra oitenta por cento das discussões antes delas começarem.
Liste os adicionais na mesma folha, com preço. Adicional escondido é o que gera reclamação na entrega, e reclamação na entrega é o que faz o cliente sumir sem dizer por quê.
E deixe uma linha final de "serviço sob avaliação", pra pelagem em estado ruim e casos fora da régua. Ela existe pra você não ser obrigado a inventar preço na frente do cliente.
Erros comuns
Montar a tabela por raça. Parece mais preciso e é pior. Toda raça que faltar vira discussão, e vira-lata, que é maioria, não tem onde cair. Peso e pelo resolvem qualquer animal que entrar pela porta.
Criar mais de nove combinações por serviço. A partir daí ninguém consulta, e a equipe passa a chutar. Tabela grande demais tem o mesmo efeito prático de não ter tabela.
Deixar o porte na base do olho. Sem faixa de peso escrita, cada atendente tem uma régua, e o mesmo cachorro paga valores diferentes em semanas diferentes.
Tratar nó como categoria de pelagem. Nó é estado do dia, vai como adicional. Colocar na linha fixa faz o cliente que cuida bem do pelo pagar pra sempre por um problema que ele resolveu.
Colocar gato como "pequeno". É a distorção mais silenciosa da tabela de banho e tosa.
Reajustar só algumas linhas. Quando o aumento entra só no porte grande, a distância entre as linhas deixa de refletir o trabalho, e o cliente percebe a incoerência antes de você.
Perguntas frequentes
Quantas faixas de porte eu preciso ter? Três resolve na maioria das lojas. Quatro faz sentido se você atende muito animal acima de 35 kg, porque ali a diferença de esforço é grande de verdade. Cinco é excesso em qualquer cenário.
Devo separar o preço por raça, já que cada uma dá um trabalho? Não. Raça é uma boa pista de tempo, e péssima régua de preço, porque a lista nunca fica completa. Use raça no cadastro do animal para já sugerir porte e pelo, e cobre pela régua de peso e pelagem.
E o cachorro que está exatamente na divisa de peso? Sobe pra faixa de cima, e isso fica escrito na tabela. Regra escrita não parece perseguição, parece regra.
Como cobro de um animal que chega todo embolado? Adicional de desembolo, dito e aceito antes de o animal entrar no box. O erro clássico é fazer o serviço calado e cobrar na entrega. Aí a conversa é sobre dinheiro, e não sobre o trabalho que você teve.
Preciso de tabela diferente pra gato? Tabela separada é o ideal. Se não quiser duas folhas, no mínimo uma linha própria, com valor pensado no tempo e no risco reais, e não em cima do porte pequeno.
A tabela nova vai espantar cliente? A estrutura, não. O que espanta cliente é descobrir o preço só na hora de pagar. Tabela clara com adicional avisado antes costuma reduzir atrito, mesmo quando o valor sobe.
Resumo do que fazer nesta semana
- Escolha e escreva as faixas de peso de cada porte, com número, e coloque na folha que fica visível.
- Reduza a classificação de pelo a três níveis e defina onde cai pelo duplo, lanoso e de arame.
- Liste os seus serviços e marque, em cada um, se ele varia por porte, por pelo, pelos dois ou por nenhum.
- Separe o que é linha fixa do que é adicional, e ponha preço em pelo menos três adicionais que hoje você faz de graça.
- Grave porte e pelo na ficha de cada animal que entrar, pra que a régua pare de ser decidida no balcão.
Tabela boa não é a que tem o preço perfeito. É a que responde sozinha quando o cliente pergunta por que o cachorro dele é médio.
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